segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sniper Militar - Diferenças e opinião

Discussões doutrinárias

Apesar do que os filmes mostram, o emprego de Snipers militares é muito mais complexo. Recentemente, li uma matéria que dividia os Snipers em militar, policial e designador de alvo, sendo que este último não possui o treinamento de um Sniper propriamente dito. No US Army, são chamados de Designeted Marksman (DM). Tanto no exército americano quanto no russo, o DM acompanha a tropa ou patrulha e proporcionam apoio de fogo.

Segundo informações, no US Army são utilizadas três equipes de snipers nas Companhias de Comando e uma equipe em cada Companhia de infantaria. Uma Brigada BCT do US Army terá 48 Snipers e uma Brigada de Assalto Aéreo e a de Pára-quedistas terão 18 cada uma, sendo usados como DM. Cada Batalhão Ranger passou a ter 40 Snipers em suas fileiras.


Snipers do USMC

O US Army e o exército inglês usam as equipes de Sniper em apoio direto às unidades, possibilitando uma maior flexibilidade aos movimentos. Outros países como França, Israel e Rússia utilizam em ação de reforço.

Os Scout Sniper do USMC agora são parte do pelotão de Surveillance Target and Acquisiton. Também são empregados em pequenos times em ação de reforço ao batalhão de infantaria.

As SOF usam equipes de dois a quatro Snipers; podem ter apoio externo, rádios de longo alcance e serem empregados em missões de longa duração.
Equipe de Snipers Seals da US Navy - Fonte: www.tropasdeelite.yahoo.com.br
O emprego das equipes de Caçadores (Snipers) no Exército Brasileiro é descrito nas Instruções Provisórias 21-2 (não sendo comentada neste Blog).

Ponto de Vista

Em todas as discussões que tenho tido, cada vez mais, parece claro a necessidade de subdividir, tanto a formação do Caçador (Sniper militar), como o emprego.

Após ler muitos artigos a respeito, parece-me lógico que seria adequado que a formação dos Caçadores fosse dividida em Caçador básico, Avançado e de Operações Especiais.

O básico deveria ser o Caçador inserido nas pequenas frações a nível pelotão (E5 do GC). É de conhecimento geral que, nos combates modernos, os disparos são realizados até a distância de 150 m. Dentro desta ótica, o emprego do Caçador nível básico se daria até a distância de 300 m, com a utilização do armamento orgânico, equipado com sistema ótico, não havendo a necessidade de um armamento mais sofisticado. Seu emprego se daria em fornecer apoio de fogo ao GC nas mais diversas situações da sua progressão. Atuariam somente em área verde.

Caçador do Exército Brasileiro no Haiti

O Avançado seria o formado para atuar em duplas, com armamento específico para disparos entre 700 e 1000 m com armamento anti-pessoal (7,62 mm), e acima de 1000 m com armamento anti-material (12,7 mm). Estas equipes seriam treinadas para atuar em área verde e amarela, com apoio logístico reduzido, atuando em apoio direto ou ação de conjunto quando empregadas na subunidade ou descentralizadamente em prol da Unidade ou Grande Unidade.

Equipes de Caçadores do Exército Brasileiro em exercício de tiro

Já o Caçador de Operações Especiais, deveria ser o militar possuidor do curso de Forças Especiais, capacitado a operar na retaguarda profundo do inimigo (área vermelha), com limitado ou nenhum apoio logístico, em condições de prover o necessário apoio de fogo às ações dos destacamentos de Ações de Comandos e Forças Especiais (principalmente durante a exfiltração), neutralização de alvos compensadores e levantamento de informações; capaz de executar infiltrações de complexa execução.


Caçador da Bda Op Especiais com fuzil Barrett .50 - Fonte: www.tropasdeelite.yahoo.com.br

Acredito que seja consenso entre os militares que, não se pode exigir de um Caçador formado em condições limitadas que esteja em condições de exercer todas as atividades citadas acima. Daí a necessidade de formações e empregos diferenciados.

Como falei no início, este é o meu ponto de vista.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Breve Histórico - Sniper Militar

Existem várias versões sobre a origem do tiro de precisão. Vamos nos ater ao surgimento do sniper como sistema de armas, ou seja, ao atirador de habilidade diferenciada dotado de um armamento que o possibilite atingir alvos a grandes distâncias.







Várias publicações fazem menção ao surgimento de atiradores de precisão já na Guerra de Independência dos EUA (por volta de 1777), onde Timothy Murphy, pertencente ao grupo Kentucky Riflemen atingiu mortalmente um general britânico a 450 m com um fuzil Kentucky.
Durante a Guerra Civil Americana (de 1862 a 1865), o general Hiram Berdam ajudou a aperfeiçoar as técnicas e equipamentos então empregados, treinando os 1º e 2º Grupamentos de Sharpshooters (ou atiradores do fuzil Sharp em calibre .52), para atuarem como atiradores de precisão.


Já a palavra sniper, como nome dado a atiradores de precisão, surgiu, inicialmente no século XIX, na época da Batalha dos Boers na região da atual África do Sul, envolvendo fazendeiros locais de origem holandesa e o exército britânico. Diz-se que, os soldados ingleses quando iam realizar seu treinamento de tiro em estandes, seguidamente, se deparavam com um pássaro muito arisco e rápido, chamado "snipe". Não demorou muito para atribuirem o nome de "sniper" aos soldados que conseguiam atingir esses pássaros, uma vez que, era necessário ter uma grande habildade no tiro para abatê-los, mesmo no chão. Assim, após treinar em seus alvos de papel, os soldados passavam a testar sua destreza tentando acertar um dos ágeis snipes pousados no chão.

Durante o dramático impasse das trincheiras na 1ª Guerra Mundial, devido ao efeito devastador dos snipers alemães, o exército inglês, sob a liderança do major Hesketh-Pritchard, cria o primeiro curso de sniper, o Army School of Sniping, Observing and Scouting.
Após a 1ª Guerra Mundial, Rússia e Finlândia manteem um permanente estado de tensão. Próximo a 2ª Guerra Mundial, a Rússia invade a Finlândia na chamada Guerra de Inverno (que durou 105 dias). Devido a imensa efetividade dos snipers finlandeses, é dito que um general soviético teria comentado, amargamente, ao término da guerra: "Nós ganhamos 22.000 milhas de território finlandês. Há o bastante para enterrar nossos mortos". O exército russo foi o primeiro a formar equipes com dois homens para a atividade sniper.



Foi durante a 2ª Guerra mundial que as bases para o moderno sniper começaram a ser traçadas.

A expressão se disseminou e hoje é utilizada no mundo todo para identificar os "atiradores de elite", pertencentes aos órgãos policiais e as forças armadas.