Visão Noturna e Termal
Um pouco de história
O desenvolvimento dos equipamentos de visão noturna (EVN)
teve início nos EUA, para uso do exército americano na Segunda Guerra Mundial e
na Guerra da Coréia. A ideia inicial era que os fótons de luz fossem
convertidos em elétrons, permitindo a ampliação da imagem. Até os dias de hoje,
o princípio utilizado é o mesmo.
O desenvolvimento da tecnologia nos EUA passou a ser
classificado em gerações e se tornou um padrão mundial na área de visão
noturna. Estamos atualmente na terceira geração de EVN, que utiliza um
componente conhecido como Tubo Intensificador de Imagem (TII). Funciona como um
olho eletrônico, capaz de enxergar na região do espectro correspondente ao
infravermelho próximo. Apesar do conjunto do EVN ser composto por lentes, espelhos
e diversas peças mecânicas e eletrônicas, o tipo de TII utilizado é o fator
determinante da geração.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos impõe um limite
sobre a qualidade dos tubos que podem ser exportados para cada país. Os
fabricantes precisam se submeter a essas restrições de exportação, por força de
lei. Para fins de controle, o governo dos EUA estipulou um valor conhecido como
Figura de Mérito (mais conhecido como FOM, para fixar um critério de qualidade
para os tubos. O FOM é o produto da
resolução do tubo pela relação sinal/ruído. Quanto maior o FOM, melhor é a
qualidade da imagem final. Atualmente, o FOM permitido para o Brasil é de
1.400.
Óculos de Visão Noturna Mono-objetiva
Óculos de Visão Noturna Biobjetiva
Lunetas de Visão Noturna
Parte da matéria da Revista Verde-Oliva, Ano XXXIX, Nº 212, Jul/Ago/Set 2011-Pág 47 à 51
Diferenças entre a Visão Noturna e a Visão Termal
A Visão Termal é uma tecnologia que utiliza a radiação
térmica emitida pelos objetos para formar imagens. A Visão Termal não é,
necessariamente, utilizada para fins de visualização noturna, apesar de ser a
principal motivação militar. No meio civil e na indústria, essa tecnologia tem
aplicação em áreas bem diversas, como na medição remota de temperatura,
monitoramento do aquecimento em linhas de transmissão, manutenção elétrica,
manutenção mecânica (visualização do desgaste em rolamentos, por exemplo) e
outros.
Os equipamentos de Visão Termal empregam outro tipo de
sensor, diferente do TII, que capta a radiação correspondente à faixa do
infravermelho médio e distante.
Esses equipamentos de visão termal possuem outra
classificação em gerações, que não tem qualquer relação com a classificação da
Visão Noturna. Os equipamentos de Visão Termal são preferíveis aos equipamentos
de Visão Noturna em situações como direção e tiro de viaturas blindadas, por
não serem afetados por condições de alta iluminação. Na aviação do Exército,
porém, a Visão Noturna ainda é a tecnologia dominante.
O equipamento ideal seria aquele que pudesse conjugar o
melhor de cada tecnologia: Visão Noturna e Termal. Existem pesquisas nessa
área., que buscam a tecnologia conhecida como Fusão de Imagens. Lançamentos de
equipamentos desse tipo são aguardados para os próximos anos.
Óculos de Visão Noturna Mono-objetiva
São EVN que consistem em duas oculares e uma objetiva. A
imagem captada pela lente objetiva é a mesma que chega aos dois olhos. Esses
equipamentos sofrem de uma limitação inerente, que é a perda de sensação de
espaço. Por outro lado, pelo fato de os dois olhos estarem constantemente sob a
mesma quantidade de iluminação, causam menos desconforto após muito tempo de
uso (uma hora ou mais). Assim, são mais adequados para uso quando o elemento
tenha que ficar estático, como em um posto de observação, mas podem ser
utilizados para deslocamento, caso seja necessário.
Exemplos
de EVN dessa família são os modelos desde o NA/PVS-7B até o NA/PVS-7D, todos de
fabricação americana. Também temos o LUNOS IX, de origem belga, que já foi
utilizado em missões no Timor Leste e no Haiti.Óculos de Visão Noturna Biobjetiva
Esses equipamentos consistem em dois monóculos dispostos lado
a lado, formando um conjunto que lembra um binóculo convencional. Eles
compensam a limitação dos óculos de versão mono-objetiva, proporcionando uma
sensação de espaço. Em todos os demais aspectos, são iguais aos óculos de
versão mono-objetiva. Devido ao peso maior, são mais adequados para pilotos de
helicópteros ou motoristas de viaturas, sendo utilizados presos a um capacete. Existem versões para o combatente
individual de infantaria, inclusive mais pesadas (robustecidas). Entretanto,
assim como no caso do equipamento de versão mono-objetiva, é mais adequado para
uso em postos de observação e vigilância.
Um exemplo de EVN biobjetiva é o modelo NA/AVS-6, utilizado
pela Aviação do Exército.
Lunetas de Visão Noturna
As Lunetas de Visão Noturna, assim como os monóculos, são
compostas por uma objetiva e uma ocular, porém apresentam uma ampliação maior
da imagem, e são utilizadas montadas no armamento para execução de tiro a
distância. Possuem um retículo interno que devem estar colimado com a arma
utilizada. Por essas características, as lunetas são mais apropriadas para
missões de Caçadores.
Dois exemplos de lunetas de visão noturna utilizadas no
Exército são a Miniscope-MS4 e a Dark Invader.
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| Imagem de arquivo pessoal - Fz 7,62 FAL com luneta MS4 |
Imagens retiradas do Google





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