domingo, 17 de março de 2013


Visão Noturna e Termal

Um pouco de história

O desenvolvimento dos equipamentos de visão noturna (EVN) teve início nos EUA, para uso do exército americano na Segunda Guerra Mundial e na Guerra da Coréia. A ideia inicial era que os fótons de luz fossem convertidos em elétrons, permitindo a ampliação da imagem. Até os dias de hoje, o princípio utilizado é o mesmo.

O desenvolvimento da tecnologia nos EUA passou a ser classificado em gerações e se tornou um padrão mundial na área de visão noturna. Estamos atualmente na terceira geração de EVN, que utiliza um componente conhecido como Tubo Intensificador de Imagem (TII). Funciona como um olho eletrônico, capaz de enxergar na região do espectro correspondente ao infravermelho próximo. Apesar do conjunto do EVN ser composto por lentes, espelhos e diversas peças mecânicas e eletrônicas, o tipo de TII utilizado é o fator determinante da geração.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos impõe um limite sobre a qualidade dos tubos que podem ser exportados para cada país. Os fabricantes precisam se submeter a essas restrições de exportação, por força de lei. Para fins de controle, o governo dos EUA estipulou um valor conhecido como Figura de Mérito (mais conhecido como FOM, para fixar um critério de qualidade para os tubos.  O FOM é o produto da resolução do tubo pela relação sinal/ruído. Quanto maior o FOM, melhor é a qualidade da imagem final. Atualmente, o FOM permitido para o Brasil é de 1.400.




Diferenças entre a Visão Noturna e a Visão Termal



A Visão Termal é uma tecnologia que utiliza a radiação térmica emitida pelos objetos para formar imagens. A Visão Termal não é, necessariamente, utilizada para fins de visualização noturna, apesar de ser a principal motivação militar. No meio civil e na indústria, essa tecnologia tem aplicação em áreas bem diversas, como na medição remota de temperatura, monitoramento do aquecimento em linhas de transmissão, manutenção elétrica, manutenção mecânica (visualização do desgaste em rolamentos, por exemplo) e outros.

Os equipamentos de Visão Termal empregam outro tipo de sensor, diferente do TII, que capta a radiação correspondente à faixa do infravermelho médio e distante.

Esses equipamentos de visão termal possuem outra classificação em gerações, que não tem qualquer relação com a classificação da Visão Noturna. Os equipamentos de Visão Termal são preferíveis aos equipamentos de Visão Noturna em situações como direção e tiro de viaturas blindadas, por não serem afetados por condições de alta iluminação. Na aviação do Exército, porém, a Visão Noturna ainda é a tecnologia dominante.

O equipamento ideal seria aquele que pudesse conjugar o melhor de cada tecnologia: Visão Noturna e Termal. Existem pesquisas nessa área., que buscam a tecnologia conhecida como Fusão de Imagens. Lançamentos de equipamentos desse tipo são aguardados para os próximos anos.




Óculos de Visão Noturna Mono-objetiva

São EVN que consistem em duas oculares e uma objetiva. A imagem captada pela lente objetiva é a mesma que chega aos dois olhos. Esses equipamentos sofrem de uma limitação inerente, que é a perda de sensação de espaço. Por outro lado, pelo fato de os dois olhos estarem constantemente sob a mesma quantidade de iluminação, causam menos desconforto após muito tempo de uso (uma hora ou mais). Assim, são mais adequados para uso quando o elemento tenha que ficar estático, como em um posto de observação, mas podem ser utilizados para deslocamento, caso seja necessário.
Exemplos de EVN dessa família são os modelos desde o NA/PVS-7B até o NA/PVS-7D, todos de fabricação americana. Também temos o LUNOS IX, de origem belga, que já foi utilizado em missões no Timor Leste e no Haiti.





Óculos de Visão Noturna Biobjetiva

Esses equipamentos consistem em dois monóculos dispostos lado a lado, formando um conjunto que lembra um binóculo convencional. Eles compensam a limitação dos óculos de versão mono-objetiva, proporcionando uma sensação de espaço. Em todos os demais aspectos, são iguais aos óculos de versão mono-objetiva. Devido ao peso maior, são mais adequados para pilotos de helicópteros ou motoristas de viaturas, sendo utilizados presos a um  capacete. Existem versões para o combatente individual de infantaria, inclusive mais pesadas (robustecidas). Entretanto, assim como no caso do equipamento de versão mono-objetiva, é mais adequado para uso em postos de observação e vigilância.

Um exemplo de EVN biobjetiva é o modelo NA/AVS-6, utilizado pela Aviação do Exército.






Lunetas de Visão Noturna

As Lunetas de Visão Noturna, assim como os monóculos, são compostas por uma objetiva e uma ocular, porém apresentam uma ampliação maior da imagem, e são utilizadas montadas no armamento para execução de tiro a distância. Possuem um retículo interno que devem estar colimado com a arma utilizada. Por essas características, as lunetas são mais apropriadas para missões de Caçadores.

Dois exemplos de lunetas de visão noturna utilizadas no Exército são a Miniscope-MS4 e a Dark Invader.
Imagem de arquivo pessoal - Fz 7,62 FAL com luneta MS4

Parte da matéria da Revista Verde-Oliva, Ano XXXIX, Nº 212, Jul/Ago/Set 2011-Pág 47 à 51
Imagens retiradas do Google

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